É sempre difícil escrever-te, pensar em ti e nas vagas memórias que apesar de velhas ainda guardo. Velhas porque podíamos ter até hoje muitas mais, não fosse a vida tirar-te do meu caminho, da tua casa, da nossa família. Não há palavras que me cheguem, gestos que me provem nem pessoas que me ensinem tudo aquilo que tu me ensinaste. Agora, consciente de como as coisas são, consigo viver com a tua ausência, nunca esquecendo que exististe e que além de me criares, fizeste de mim o que hoje sou. Ainda assim, este dia é-me sempre triste e frio. Ainda me oiço a chamar-te. Ainda me vejo com todos a olhar para mim à espera que a minha reacção ao ver-te não os fizesse quebrar a mascara de fortes que todos queriam parecer ser naquele momento. Foi talvez, não só o momento mais difícil da minha vida, como aquele que sei que nunca vou esquecer. Não é que essa seja a imagem que guardo de ti, mas foi certamente aquilo que de pior os meus olhos já viram. Ver-te dormir e saber que não voltarias a acordar.
Tinhas razão em muitas coisas que disseste sobre as pessoas e sobre mim. Teimosa como sou já devias saber que eu ia acabar por ir ter com ele, mais que não fosse para poder passar por ele na rua e reconhece-lo como pai (que nunca foi). Pensei muito em ti antes de o fazer e no que pensarias se cá estivesses, mas acredito que me ias apoiar. Mais vale cairmos e levantarmos nos conscientes de que se pisarmos aquela corda caímos, do que andarmos sempre a baloiçar nela. Agora, não me arrependendo, sei que apesar de não ter perdido nada, também nada ganhei.
Tinhas razão em muitas coisas que disseste sobre as pessoas e sobre mim. Teimosa como sou já devias saber que eu ia acabar por ir ter com ele, mais que não fosse para poder passar por ele na rua e reconhece-lo como pai (que nunca foi). Pensei muito em ti antes de o fazer e no que pensarias se cá estivesses, mas acredito que me ias apoiar. Mais vale cairmos e levantarmos nos conscientes de que se pisarmos aquela corda caímos, do que andarmos sempre a baloiçar nela. Agora, não me arrependendo, sei que apesar de não ter perdido nada, também nada ganhei.
A mãe continua a dar-me na cabeça e a fazer mais disparates do que eu. No entanto cuidamos uma da outra como tu cuidavas de nós. Aliás, estamos todos crescidos, se visses o Francisco nem ias acreditar. Já temos uma nova geração na família, e são todos muito bonitos. Os meus tios estão todos bem, e em certos momentos continuamos a estar todos juntos. Mais não poderia desejar. Se me estás a ver, e eu acredito que estás sempre comigo, só peço que continues a olhar por nós e que não nos deixes perder as lutas que ai vêm. Ainda cedo para ir ter contigo, mas lá chegaremos todos.
Eternamente tua.
António Carmo, o homem da minha vida.
Eternamente tua.
António Carmo, o homem da minha vida.

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