21 de janeiro de 2011

Na nossa Ilha, passa-se assim:

"Espera só mais um ou dois minutos, eterniza este abraço, grava-o na tua memória para que amanhã e depois, e depois te dê apoio e protecção, te faça sentir amado e desejado, como uma mãe que ama um filho, sempre e em silêncio, sem nunca perder a paciência, sem nunca cobrar, sem nunca pedir, só dar, dar, dar. Espera ainda, esconde tudo leva o meu cheiro para casa e esconde-o dentro de uma gaveta, não deixes que ninguém saiba que te quero e te desejo, não deixes que te falem de mim, não oiças o que os outros te dizem, eles não estão no meio de nós, ninguém está no meio de nós, só nós é que estamos aqui, a vida que vivemos é a nossa vida e não a que os outros querem que seja. Vive cada minuto intensamente e no maior segredo, faz como aquele poeta que só deixou que as suas palavras fossem lidas depois de morrer, para que ninguém o julgasse ou pudesse apontar-lhe o dedo. Guarda-me bem, perto de ti, sempre perto, mesmo que eu não te veja ou tu não me fales, estarei ali, junto de ti, como Vénus sempre atrás da lua quando o dia cai e a noite se levanta, silenciosa, altiva, celeste e discreta. Deixa-me ficar ai, ai ninguém me vê, estou protegida pela discrição da noite, pelo silêncio dos pássaros que já dormem e não nos podem denunciar. Serei uma sombra, um suspiro, um sorriso, uma festa no teu cabelo. E a minha presença, certa e segura junto ao teu coração, vai-te trazer de volta os sons das nossas conversas, a temperatura das nossas mãos entrelaçadas uma na outra, o sabor da minha boca na tua, o meu olhar dentro do teu como se nunca tivesse partido, como se nunca mais precisasses de voltar a essa estúpida rotina que nos rege os dias e as noites, e nunca mais te sentirás uma pessoa normal, igual às outras, porque é agora que podes ser dono da tua vida e do teu coração, é agora que tudo pode acontecer de outra forma e a vida se transformar em algo que sempre sonhaste!"
Margarida Rebelo Pinto in As crónicas da Margarida

De mim, para TI.

13 de janeiro de 2011

É isso ai

Mergulho bem fundo e procuro por mim. Vou esquecer o mundo e tudo o que me deixou só assim.
Quero fechar esta porta, que um dia alguém abriu. Hoje o frio já corta, mas a dor ainda não saiu.
Vagueio na incerteza, as cartas estão sobre a mesa mas já ninguém vai ganhar. Somos escravos dos medos que nos fogem entre os dedos e não sabemos agarrar.
Espero que as vagas de espuma apaguem estas marcas do chão, que desenhámos na bruma de sentimentos e ilusão. Fizemos sonhos de areia, ficámos presos na teia que a tempestade destruiu. Lemos promessas ao vento, mas não passou de um momento e hoje penso que nem existiu.

10 de janeiro de 2011

Quando perceberes. Quando realmente perceberes, e acreditares. Quando já não tiveres duvidas. Quando realmente perceberes que afinal sempre me conheceste, muitas outras coisas, mudaram. Essa duvida que nos invade o coração, pode mata-lo. E tu, quando realmente perceberes e acreditares, vais saber porque é que ele ainda não morreu. Ainda que já tenhas morto o meu, e eu saiba que de maneira alguma o vais tentar salvar.
É no fim dessa linha, que realmente vais perceber o quanto eu te amei e o quanto eu te amo. Vais entender a subtil diferença entre o que ouves dizer, o que realmente acontece, e o que sentes. Vais entender que o que os outros ouvem dizer, nunca viram, e o que te dizem a ti, já vai com muito menos verdade. Verdade, porque apesar de ser mentira, qualquer mentira tem um fundo de verdade, se não, ninguém acreditava. O único fundo de verdade desta mentira que me matou e q matou o teu amor por mim (que é praticamente a mesma coisa), é que eu existo e essa pessoa existe.
Quando entenderes isso, pode ser que percebes o que me fizeste perder, e o que me fizeste ganhar. Podíamos ter sido tudo, e alguém estragou esse tudo, transformando-o em nada. Eu só perdi o que realmente queria, o que realmente era meu, o que realmente me faz falta, o que realmente me faz respirar. Ganhei muito mais, do que algum dia julguei ser possível. Aprendi que não posso confiar nos que mais se dizem meus amigos, porque quem realmente merece as minhas lágrimas, jamais me fará chorar. E garanto-te que ter ganho isso vale muito mais, que tudo o que eu perdi. Porque agora eu sei, sei que se duvidas de mim, talvez nunca tenhas acreditado, talvez nunca te tenhas preocupado com a verdade… a verdade de quando eu dizia que te amava, a verdade de quando eu te dizia que só contigo me sentia realmente feliz, a verdade que nós éramos, ou que eu achei que fomos.
É isso que mata um coração; pô-lo num sítio que é falso, mergulha-lo numa mentira, bater-lhe com a culpa, e a seguir enterra-lo sem q ele se possa defender.
Se me mataste o coração, não me fazes mais bem, e hás-de um dia, não fazer-me mais falta.
Quando realmente perceberes e acreditares, eu já te vi partir, e já apanhei o comboio para partir também.

Deixou de ser.

" Quando as coisas deixam de durar, alteram-se. O simples facto de deixarem de ser, altera-as, por mais que procuremos fazê-las estancar.(...)"



Inês Pedrosa in Fazes-me falta

6 de janeiro de 2011

Continuar

Por tudo o que vai ou foi, e já não volta. Por tudo o que vem ou regresa, e fica, temporaria ou definitivamente. Por tudo isso, e pelo resto, temos que nos manter vivos. Eu tenho mais que uma razão para ainda aqui estar. E as minhas razões, têm cabeça, tronco e membros. Valem tudo o que eu ainda tenho, e por eles, eu vou continuar.