26 de maio de 2011

Ainda agora começou

No inicio do fim, não queremos nada nem ninguém. Tudo o que nos dizem inunda-nos o coração, tudo o que vimos inunda-nos os olhos. Tudo nos faz mal, e parece que ninguém nos entende. Achamos que não vão haver mais historias, e que tudo aquilo que prometemos a outrem não vamos repetir. Ou porque já não faz sentido, ou porque ninguém merece ouvir. Aliás, ninguém merece passar pelo fim de alguma coisa – não quando se fala de um fim pouco feliz. Com o decorrer das horas e dos dias, vamos nos apercebendo que algumas coisas sempre estiveram a nossa volta e que, durante aquele tempo, nos tínhamos esquecido do quão bom era olhar a volta e ver um mundo. Mundo esse que não está de mãos dadas connosco, mas que é tão ou mais perfeito. É o nosso mundo, aquele que é constituído por todas as coisas que, dê lá por onde der, nunca nos escapam das mãos – nem do coração. As boas acções ficam para quem as pratica e as outras vão sendo guardadas num lugar sem hipóteses de abertura. As poucas vezes que nos lembramos de quem nos desiludiu no inicio, meio e fim do fim é porque calha em conversa, ou porque passou por nós na rua. O rancor passa a superioridade e a saudade desaparece. É ai que aplicamos a velha máxima:
Só quem aguenta o nosso pior, merece o nosso melhor.
E num instante o que era um coração habituado a estar sozinho e a não depender de ninguém, abre a porta a outro mundo – mundo esse que nunca é igual, e que na maioria das vezes é melhor. Caso contrario não teria a capacidade de o abrir.
Não é automático, e quase nunca é á primeira, mas quando é, é a serio e com força.
É muito bom quando alguém nos abre o coração e entra por ali a dentro sem eira nem beira. É ainda melhor quando sentimos que passamos a vida inteira a espera dessa pessoa. Eu não sabia o que isso era, até à uns dias.
E não quero mais nada.

20 de maio de 2011

UPS


"As mulheres não são mais infiéis do que os homens. Por muito que gostassem que assim fosse (e assim se pensasse), estão impedidas de ser mais infiéis pela circunstância de serem humanas."


Miguel Esteves Cardoso

1 de maio de 2011

Ó MÃE


Quando somos pequeninos olhamos para elas, e, das duas uma, ou queremos ser como elas, porque se pintam e calçam saltos altos, ou no caso dos rapazes, querem que as namoradas sejam tão bonitas como elas. Quando chegamos à meia idade, como eu, olhamo-las de forma completamente diferente, passam a ser elas a calçar os nossos saltos altos. Olhamo-las de forma maior, porque passamos a ver nelas, melhores amigas, e principalmente, um exemplo a seguir. Ouvimo-las com atenção e pensamos: caramba, quando tiver filhos, vou ensinar-lhes o mesmo.
Ás vezes pensamos ao contrario, porque elas chateiam-nos a cabeça, ou para não bebermos, ou para não fumarmos, ou para não levarmos o carro, ou porque está a chover, ou porque está sol a mais. Nessas alturas dizemos: os meus filhos não vão passar por isto.
Mas mãe, é o termo mais bonito e mais grandioso do mundo. Tudo bem, já todos sabemos que a sementinha vem lá do pai, mas são as nossas mães que nos carregam, e são elas, sempre elas, as primeiras em tudo. (Há excepções, mas sobre essas fala-se no dia do Pai)
As mães são tão queridas como refilonas, tão fortes como frágeis, tão mães quanto pais. São muita coisa ao mesmo tempo, e são-no por nós.
A minha mãe já resmungou não ter prenda nenhuma minha, mas não é com bens materiais que a vou mimar, e o dia da mãe, são todos os dias da minha existência, porque sem ela eu não estaria aqui, sem ela eu não teria aprendido nem metade do que só ela me soube ensinar.
A minha mãe, é minha. Muito minha. E só minha. Partilho-a com os meus irmãos, mas de alguma forma, há alguma coisa nela, que só me pertence a mim.
A minha mãe é a única pessoa que conheço, que apesar de todas as más situações que por nós passaram, continua viva. E estar viva, acreditem, é nela um sinal de luta. É nela e é em mim, porque eu sei, que por ter estado ao lado dela, também contribui para isto. Sei que vou ser a mãe que os meus filhos precisam, porque a minha mãe também me ensinou a ser mãe e sabem como?
Quando a minha mãe olha no espelho, ela vê o meu reflexo. E com isto, acho que já disse tudo o que poderia dizer.
Quanto a vocês eu não sei, mas quando eu estou com ela, eu tenho todo o orgulho em dizer: esta é a minha mãe.


Ó mãe, achaste mesmo que eu ia deixar este dia acabar sem te dar um presente? Amo-te.